Elas dão um toque de beleza às guaritas, fazendo muito
veranista querer reviver a cena do seriado de TV "Baywatch", em que Pamela
Anderson vem correndo para salvar um banhista prestes a se afogar. As
salva-vidas femininas, participantes da 43ª Operação Golfinho, representam 9,7%
do total destes profissionais (10 de 103), atuando de Torres a Tavares, um dos
maiores contingentes desta ação, desde que começou a admitir mulheres, em 2001.
E elas enfrentam os perigos da profissão com a mesma coragem dos seus colegas do
sexo masculino.
A pioneira a desbravar esse universo foi a soldado Vânia
De Nale. Em sua 13 temporada, ela lembra com humor a primeira vez em que subiu
em uma guarita, em Xangri-Lá, em 2001. "O início foi difícil, pois não havia
outra mulher a não ser eu", recorda. Vânia não só conseguiu, como acabou
incentivando outras colegas a tentarem. "Sinto orgulho, pois mais colegas querem
trabalhar como salva-vidas", afirma. "E saber que fui eu quem começou tudo
isso."
Cássia Priscila Pitthan Lírio, 26 anos, seguiu os passos de Vânia.
Em sua 5 temporada na Golfinho, ela considera clichê a afirmação de que mulher é
"o sexo frágil". Ela lembra que o treinamento é feito junto com os homens e,
isso por si só, é uma questão de superação. Vaidade? Apenas dentro do padrão
militar: um brinco pequeno, um batom leve e o cabelo preso. "Mas, mesmo assim,
já levei cantada, mas tudo com respeito", conta. "Dizem que vão se afogar para
eu salvar, coisa deste tipo", revela, não escondendo um
sorriso.
Timidez dá lugar à coragem nas águasNa guarita
162, em Nova Tramandaí, uma garota tímida também chama a atenção dos veranistas.
Caroline Maria dos Santos está em sua terceira temporada na Operação Golfinho,
mas já atua como veterana. Natural de Terra de Areia, ela não esconde a timidez.
Porém, quando o assunto é salvamento, a coragem e o profissionalismo se
destacam.
Incentivada pelo tio, o sargento da reserva Cláudio Vieira,
também salva-vidas, ela começou a treinar com afinco, até ser aceita na
Golfinho. Casada com um salva-vidas, ela afirma gostar de nadar e correr,
requisitos básicos para autuar em salvamentos. "O treinamento é o mesmo",
ressalta. "Além disso, a vítima não quer saber se é um homem ou uma mulher que
irá lhe salvar", completa Caroline.
Quando aos colegas homens, Caroline
afirma não ter sofrido nenhum tipo de preconceito. O mesmo não pode dizer de
alguns veranistas. Porém, com seriedade e esforço, ela foi se impondo. Porém, as
"cantadas" de alguns mais afoitos são inevitáveis, algo encarado com bom humor.
"Alguns falam algumas bobagens, mas tudo dentro do limite", acentua. "E, eu vou
procurando aprender com os veteranos", resume a tímida Caroline.
Caroline dos
Santos está em sua terceira temporada na Operação Golfinho, em Nova Tramandai /
Foto: Vinícius Roratto"A mentalidade das pessoas está
mudando"A mentalidade das pessoas está mudando e o preconceito está
diminuindo. Está é a interpretação da soldado Carla Rodrigues Avozani, 25 anos.
Ela lembra o início da carreira como salva-vidas, há três anos, quando as
pessoas passavam pela guarita onde estava e subestimavam a sua capacidade. "Os
veranistas passavam e diziam, me olhando, aquela pessoa é muito grande ou gorda,
como essa guria vai conseguir salvá-la?", relembra.
"Quando eles
precisam, acabam dando o devido valor", comenta a salva-vidas da guarita 132 de
Imbé. Assim também era com colegas de profissão. Muitos, lembra Carla, não
queriam fazer dupla nas guaritas com uma mulher. Atualmente, isso está mudando e
as pessoas estão se dando conta que as mulheres conseguem também fazer
salvamentos. "Esquecem que na água tudo flutua e nós temos a técnica para
resgatar", salienta.
Três guaritas depois, está Roberta Caumo, 31.
Formada em Direito, ela pretende fazer o curso para oficial. Ela afirma não ter
sentido preconceitos, tanto dos veranistas como dos colegas. "A maioria das
pessoas dá força", garante. "Muitas mulheres elogiam o fato de eu estar atuando
como salva-vidas", relata.
Colega de Roberta, na guarita 129, o
salva-vidas civil Gabriel Marques Nunes diz que a dedicação e atenção ao
trabalho são iguais para ambos os sexos, e o serviço é feito com a mesma
qualidade. "Se elas estão aqui é porque merecem e têm condições", atesta. Também
atuam no Litoral Norte na Operação Golfinho as salva-vidas Ana Maria Mizael, em
Torres, Daphne Liberato e Karine König, em Cidreira, Mariana Riella, em
Tramandaí, e a salva-vidas civil Mariana De Bem, em Imbé.
Fonte: Paulo Roberto
Tavares / Correio do Povo